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BRASIL, Sul, Mulher, de 26 a 35 anos, Livros, Cinema e vídeo, Amigos, animais, viver bem!

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AMIGOS! NOVO ENDEREÇO 

DO BLOG 

http://reflexoesdepoisdos30.blogspot.com/

ATÉ LÁ!

 



- Postado por: Caíla às 08h33
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Os preparativos começam em  final de outubro

Ou talvez início novembro com  a  manutenção de alguns móveis e

troca das cortinas. Depois vem a época das grandes arrumações e

faxinas. Em seguida, surgem caixas, muitas.  E a  senhora  prepara-

se para o natal! Arma sua árvore quase toca o  teto, verdinha, 

com enfeites coloridos diversos tomando cuidado com cada um e dispondo

 as luzes de forma  harmoniosa. Durante várias horas escolhe qual o  lugar

mais adequado para colocar a casinha que trouxe da serra para  o presépio

e dispõe ali os personagens  com carinho  como quem reconta  a história do

nascimento de Jesus. Os presentes já comprados são acomodados em sacos

enfeitados  e outros em torno da árvore todos devidamente identificados. O

novo integrante recebe um lugar de destaque: sim, esse anos há um Papai

Noel  de tamanho grande  sorridente por fazer parte de tão primorosa 

decoração. No restante  da casa

outros  detalhes lembram a data e na noite da ceia, gorros vermelhos são

dispostos para que os convidados possam compartilhar da magia.

 



- Postado por: Caíla às 22h57
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Algumas semanas antes, a senhora faz a lista de convidados e a de

presentes  tomando sempre cuidados para  não privilegiar ninguém com

uma lembrança  de maior  ou menor valor. Pensa com carinho no que

servirá e  distribui algumas tarefas com os mais próximos. Nas quarenta

e oito horas que antecedem a ceia ela ingressa  em uma espécie de 

transe natalino,ou concentração como os jogadores de futebol fazem

 antes da final da  copa do mundo. Nem os telefonemas podem ser

 longos. As gostosuras  estão em preparo,  sempre  falta um presente

 e ela também tem seus rituais de  vaidade, pois não se trata de

uma dona de casa de cabelinhos brancos, não. Na noite de natal, ao

primeiro toque da campainha, vê-se a  cena:  

A senhora trajando vermelho, impecável - às vezes tendo tomado um

analgésico depois de tanta correria -  a sala repleta de presentes, a mesa

farta e  bem decorada, os gorros, os arranjos,  a máquina fotográfica...

Tudo pronto para as crianças chegarem...

Crianças? Que crianças?  As filhas cresceram e agora decidiram que não

 querem  mais casar. Dia desses  alguém a viu resmungando "sou uma

 das últimas amigas que  não tem netos". Bom, mas a casa  ela já aprontou...



- Postado por: Caíla às 22h53
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Vi aqueles olhos marejados e sorri. Percebi

também fazer diferença para aquele que  esteve

lutando contra alguns fantasmas. Ali,  abatido, as 

 palavras saindo  abafadas mas cheias de sentido. Desejos

 tão próximos aos meus.

Terá se (re)construído?

                              

 

(Portinari, Meninos no balanço)

Se for um engano, e se precisar optar entre

sair ilesa e ser feliz,

(re)faço tudo

Novamente...

  



- Postado por: Caíla às 10h31
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Mais uma vez ele combinara coisas que não cumpriria

(Diego Rivera, Pormenor)

- Oi amada, não vou.  

- Não?  - Existe voz blasè?

- Pois é, não vai dar.

- Ah tá...

E então, aconteceu.  Como rajadas no céu que  mostram

uma nova direção as coisas pareceram claras "não adianta!

Nunca mudará, doerá sempre!"  A  inconstância do príncipe

sempre acarretará em mim o  vazio como o  que sentia

naquele momento. Enquanto pensava tentava responder

calmamente, mas a tristeza vinha tão rápido que  não

 considero que calmo seja o adjetivo mais adequado

para o diálogo que se seguiu. Gosto do cheiro e da

presença dele, do timbre da sua voz e até mesmo da

marca entre as sombrancelhas  quando fica tenso.

Acho engraçado a forma como segura o cigarro e

a sua risada, mas não consigo me acostumar com 

a oscilação e com a agenda de rotatividade tão

grande que acaba por me destinar as madrugadas.

Algumas engraçadas, com   música do Wando ao fundo

e declarações de afeto que aquecem e animam, mas

outras atrapalhadas, com frases desconexas  e

desencontros. Não desejei isso, não procurei, aceitei

sim, me deixei  envolver, gostei, fiquei. Agora, peço

 saída (será?), mas talvez eu  não consiga mais sair

ilesa disso.  Na verdade peço uma remodelagem nesse

contrato, mas não  creio ser possível, nem sequer 

lembro de ter assinado algo.Talvez seja o fim do príncipe,

mas se estou junto a ele, será meu  fim também?

Novamente? 

 .....................................................

"...então me vens e me chegas e me invades e me

tomas e me pedes e me perdes e te derramas

sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e

abres a boca para libertar novas histórias e

outra vez me completo assim, sem urgências,

e me concentro inteiro nas coisas que me

contas, e assim calado, e assim submisso,

te mastigo dentro de mim enquanto me

apunhalas com lenta delicadeza deixando

claro em cada promessa que jamais será

cumprida, que  nada devo esperar além

dessa máscara colorida, que me

queres assim porque é assim que és..."

(À Beira do Mar Aberto - Caio Fernando Abreu)

 



- Postado por: Caíla às 20h31
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Adoro chuva, nem  forte nem garoa,

Mas aquela que faz barulho ao   bater nos telhados de zinco: sons de minha infância. Manhãs frias,  chuva a embalar o sono,  ruídos da minha mãe vindo das outras peças do apartamento. Nesses momentos, eu sabia que tudo estava bem e que podia  sonhar protegida em casa,  para onde  agora retorno e me aproprio de   recordações.

Algumas são  puro olfato, como a loção  pós-barba do meu avô acompanhada de batidinhas ritmadas das mãos no rosto, o cheiro da maquiagem da minha mãe e os seus trejeitos faciais  e  o  perfume inigualável das camisolas da minha avó.   Outras são movimentos. Minha mãe chegando e saindo  de casa, sempre impecável, por vezes muito cansada. Minha irmã subindo pelas portas, mas não  como   metáfora,  sabe-se lá como ela pulava de um marco para outro  com a desenvoltura de um símio -  mais tarde apaixonou-se  por esportes radicais - caçava formigas e empinava pipas da janela do apartamento.  As pipas eu também empinava, na verdade, nenhuma nunca subiu, mas  gastávamos  horas  criando e imaginando se conseguiríamos  fazê-las voar - da janela -  pois morando em uma avenida não podíamos  brincar na calçada. Só quem cresceu em apartamento sabe a delícia de fazer um  desfile de modas com  lenços de seda ou um campeonato de vôlei no quarto da mãe. E nós éramos   muito criativas: tênis, dança,   e muita, principalmente, muita confusão. Tudo estava calmo, repentinamente uma gritava a outra respondia e pronto, um  punhado de cabelos, no mínimo,   era perdido. Hoje, depois de vários anos de terapia, isso é bem engraçado, mas na época...

Também  havia os aromas e movimentos que vinham da cozinha. E esses eram de vários tipos. O da empregada, carregado de alho denotava pressa e mecanicidade. Minha mãe com muita calma preparava especialidades caseiras que nos reuniam a sua volta, mas foi observando minhas avós que conheci mundos culinários  diversos. Uma, nona italiana, durona, óculos grossos, voz rouca  e quase nenhuma paciência com crianças, cozinhava com maestria e em uma espécie de templo onde não era permitido tocar em nada, mas eu observava a pasta sendo preparada, os pasteis sendo cortados, o grande moedor de carne  e ela perguntando " Vai ter guisado na tua casa? Tua mãe só sabe cozinhar com guisado."  Sogras, mas esse já é outro ponto. A outra avó, de olhar perspicaz  e muito disposta, cozinhava em uma ação normal, mas perfeita em sua execução e deliciosa em seu resultado: nada era calculado e rapidamente os pratos  ficavam prontos e sem sujeira! Com ela  eu brincava de comidinha e podia  amassar o pão e  fazer bonequinhos para assar com a massa.  E foi sob sua supervisão que cozinhei pela primeira vez. 

Meu avó falou-me sobre a vida dos adultos e a responsabilidade, me deu uma bicicleta aos oito anos e a possibilidade de ter a profissão que eu queria aos pouco mais de dezoito. Na bicicleta eu nunca consegui andar direito, mas  na faculdade eu deslizei com suavidade.  Do meu pai lembro do jeito irreverente, dos cabelos  desarrumados propositadamente - acho até que para implicar com minha mãe  que só vi escabelada uma vez quando doente - mas me recordo sobretudo da falta que ele fez ao longo desses anos.

Construí-me assim,  nas pipas que nunca voaram, no primor dos alimentos, nos cabelos desalinhados, nas fragrâncias que reuniram minha família em cuidados diversos  mas também no barulho da chuva nos telhados de zinco. Esse barulhinho aí, ó..

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"Não fica mais vazia a casa, não fico nunca mais só. Há uma poeira que se desprendeu de ti infestando o ar, o ar em festa, em festa permanente. Uma festa silenciosa que se cumpre todos os dias, todas as horas na tua falta, porque me fazes falta, sempre, e isso é uma bênção. Tua falta é uma marca bonita pousada em tudo que me cerca, um mistério, a vingança secreta contra a ordinariedade do mundo."

Patrícia Antoniete

 

 



- Postado por: Caíla às 18h47
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Como um corpo estranho provoca desconforto, um

 déjà vu pode irritar a alma e provocar febre alta.

 

Abro meu blog, dentre as reflexões, um velho conhecido... nem

 meu pseudônimo é capaz de segurá-lo, nem minha identidade

 secreta é capaz de afastá-lo de mim. Como alguém pode

conhecer-me tão bem? Em outro momento:

- Oi

_ Oi, como sabias que eu estaria aqui?

_ Não sei, pressenti - Desde quando  ele é  sensível a esse ponto?

Começo a pensar que ainda que eu me travista de  formas

diferentes, percorra  outros  caminhos até minha casa, 

lá estará ele, olhos graúdos e claros a espreita  de

minhas ações acenando para lembrar sua presença

não de uma forma desrespeitosa, mas sendo suave

 e por vezes até necessário.

Ele me lê como quem o faz com uma receita de bolo

de caixinha -  dois ovos, uma xícara de leite

- Está  beijando? Ingerindo colesterol?  Ex... por que 

 não são abduzidos no exato momento do término?

por que eles são bonzinhos? Por que é difícil odiá-los

ainda que sejam intrusivos(!) e provoquem febre na alma?

E eu  tenho certeza de que ele está aqui, nesse momento!!


 



- Postado por: Caíla às 13h15
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Contemplativa

                                   (Mulher à janela, Picasso)

Ela -  Amanda - na torre, cabelos longos  cuidadosamente trançados.

Olhos perdidos na linha do horizonte. Parecia esperar.

Ele - Poti - maduro, cabelos grisalhos,  em um alazão  bem tratado

rondava  a torre pedindo entrada.   Amanda  recusava, pedia paciência,

 explicava que  seu tempo era  dedicado a  trançar os cabelos. Ainda quando

  nova fora  amaldiçoada  a trançar os cabelos e a refletir a respeito de sua vida. 

Como não saia  nunca da torre ruminava os mesmos poucos pensamentos

enquanto  olhando para o horizonte esperava que algo modificasse sua história.

Poti, persistente, oferecia-lhe o calor do sol, a segurança da relva macia e a

delicadeza do  farfalhar dos galhos  na primavera. Ela pedia que  parasse 

 não a perturbando  com  a possibilidade de tirá-la dali, pois ninguém  

jamais foge de seu destino. Poti não resignava-se e prometia lutar por ela. 

Retornava  todo dia,  a mesma hora e  ficava ali  imóvel. Se um falasse o

 outro respondia e durante um período conversaram e até trocaram confidências

 mas nunca seus olhos se encontraram. Poti olhando para torre, Amanda, para o

horizonte. Sol, chuva, dias e noites e Poti à beira da torre.  Amanda, olhar perdido,

trançava os cabelos tentando  ficar alheia ao que acontecia, mas  sabia  que os

dias eram menos solitários assim. E se  acostumou,  se afeiçoou a Poti  que uma

primeira visão e a  última cena de cada dia  e quando dormindo,  sonhava em 

descer da torre e seguir  com aquele homem  para longe.  Sentia-se mais forte e

um dia, distraída   enterneceu-se de tal forma que não conseguiu esconder um

sorriso. A  breve  demonstração de afeto fez com que  ele caçasse  dois dragões

e  lhe  ofertasse a flor mais bonita do reino  colhida ao primeiro raio de sol, dizia

que seu coração enchera-se de esperanças e que esperaria o que fosse necessário. 

Amanda, a cada dia confiava mais em Poti.

Poti, a cada dia ficava  mais  exultante e encantado por Amanda. 

Finalmente, ela desfez as tranças e  tentando o seu melhor  surpreendeu Poti   

surgindo  fora da torre. Caminhava ao encontro do homem  certa de que   seria

feliz e  que a maldição havia sido desfeita. Poti exultante olhava, mas não via nada.

Os raios de sol  forneciam uma  visão distorcida daquela mulher que se aproximava.

 Quem era ela? A visão que  tivera outrora de Amanda se dissipara, ele passara muito

tempo ali parado que já não sabia  o que poderia  encontrar.Poti sorriu. Sorriu,montou

em seu cavalo e desapareceu.  

Amanda  voltou à torre e às tranças. A impossibilidade de sonhar tornaram os dias mais 

longos e as noites  vazias, sentia-se mais só e convivia  agora apenas com o eco de

suas próprias dúvidas:  Por quê? Por quê? or quê? quê? ê ê ê ê...

 Poti desapareceu  sem explicar nada, até hoje.

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 A Citação(oração?) abaixo foi retirada do  blog No Problem

(www. noproblem2.zip.net)

 

 

"Um brinde a nós, mulheres, portadoras da sedução, que nenhum filho da puta sabe dar valor!

Que os nossos sejam nossos, que os delas sejam nossos, que os nossos nunca sejam delas, e que se forem delas, que sejam brochas!!!

Bebo porque vejo no fundo deste copo a imagem do homem amado... MORRE AFOGADO FILHA DA PUTA DESGRAÇADO!!!

Que a fonte nunca seque e que nossa sogra nunca se chame Esperança pq Esperança é a última q/ morre! Deus é 10, Romario é 11, wisque é 12, Zagallo é 13, e acima de 14 eu to pegando!

Que sobre, nunca nos falte, e que a gente dê conta de todos, amém!"

 



- Postado por: Caíla às 12h31
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Depois de uma boa transa nenhum lugar é distante

 

- Vamos Ao espirito Santo? 

- COMO?  - Acordo de meu transe

- Vamos  visitar Vitória ou quem sabe o Ceará. - Ele, atento às minhas reações

_ Quando? - Tomo fôlego tentando lembrar onde estou

- Nas tuas férias.

- Ahhhh...

Sexo e férias, fragrância  agradável no ar. Volto totalmente à consciência  e  percorro as feições do meu interlocutor. Enquanto  fuma seu cigarro,  péssimo hábito que cultiva, o príncipe  acaricia meus cabelos e planeja o que fazer nos próximos meses. Fala em presentes de natal para afilhados e em percepções familiares. Por mais que eu ironize aquece a alma a idéia de estar com ele. Não desejo temporalidade, mas tenho me alimentado da intensidade de nossos encontros. 

 Uma leve marca de expressão  entre as sombrancelhas  indicam preocupação no príncipe. O cigarro é posto de lado,  e ele  me olha intensamente. Está tudo bem?  Os tambores ruflam e  respondo que só estava pensando de forma evasiva. A marca na testa se acentua e entre suspiros ouço uma leve crítica ao meu jeito reflexivo.  Sim, é  verdade, sou  reflexiva por natureza, assim como  gosto de chocolate  e tenho um cachorro  ciumento. Essas sao  verdades aboslutas  a meu respeito, não há como modificá-las, apenas consigo ao longo dos anos amenizá-las: o cachorro com  treinamento social, o chocolate com disciplina, mas  as reflexões (...) 

Interrompo minhas conjecturas  no momento  exato  em que eu  iria  à lua com ele. O principe  é assim, me (des)constrói em um segundo e  não deixa  espaço para meus questionamentos  intermináveis. Sigo observando-o e  até me esqueço de ponderar  sobre a  viagem, flutuo por alguns instantes ainda que eu saiba que fevereiro está muito distante  e que esse homem ao meu lado na cama não é um príncipe.  Mas não me importo com isso, o sexo foi muito bom.



- Postado por: Caíla às 10h59
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O celular tocou  muito depois do que eu esperava, mas a voz era simpática

 

 - Oi amada!

 - Bom dia,  sou eu!  Respondo sem ter certeza do  que acabo de ouvir.

Do outro lado,  uma risadinha  e a insitência 

- Eu sei,  tu és amada.

Eu sou amada? Desde quando?  Me resta o verbo  ser, que me une  ao   confuso universo de emoções.  "Mim não falar tua língua, mim aborígene, mim querer desvendar  teus códigos!"  Ei, tá ouvindo? Claro que não, eu nem falei nada! Do outro lado segue uma descricao da noite de descanso e da manha trabalhosa.

- Sim, sim.  É  o que consigo dizer - E  segue a narrativa  em  ritmo acelerado

Parece que estamos juntos, mas que som nos une se quando separados, sigo em um sambinha de uma nota só enquanto ele evolui em  um vaneirão bem marcado desses de churrascaria  tipo exportacao - e  vai, vira, bailando com leveza e sabendo para onde tem que ir.

Não percebo insegurança e nem mesmo preocupação em sua voz. Não o compreendo, nem a ele nem a seu universo. Tomo aulas com minha irmã: "homens só reconhecem mulheres após várias transas",  mandamento da mulher solteira retirado  de um livro de procedência duvidosa. Reflito: Xiiiiiiiiiiii, meu prazo de experiência  teria acabado?

 Ei, mas desde quando desejo passar do prazo de experiência com  meu interlocutor, que nesse momento me conta que está esperando um guincho na estrada e que voltará a trabalhar depois do almoço. Não presto muita atenção em suas palavras, estou  em meu próprio mundo "como desvendá-lo? como desvendá-lo?" Aciono meu sistema de segurança e respondo:

- Pôxa, boa sorte! As palavras saem automaticamente desejando sugar-lhe os pensamentos para  me sentir segura e traçar minhas ações.

Ei, desde quando minhas ações dependem dele? O que está acontecendo comigo? Melhor  não pensar muito nisso agora, tem sol lá fora: banho, batom e rua! Sou segura e  bem resolvida (alguém duvida?)

 



- Postado por: Caíla às 19h43
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Nunca serei uma equação matemática. Sou um patchwork de emoções, idéias e sentimentos.

Tenho  o terrível hábito de me apegar, de abrir a alma e a vida a quem por ventura eu possa achar que goste de mim.Além disso, acabo   querendo fazer parte da vida de quem amo. Hoje errei o compasso, me antecipei e talvez tenha perdido pontos na minha escala de amadurecimento.Tenho exigido  além das possibilidades de quem me acompanha. Estarei errada? Totalmente? 

Fico olhando para o celular esperando que algum sinal chegue para que eu possa reconstruir  meus sonhos de curto prazo. Frágil, boba e  infantil:  essa  também sou eu.  (Mulher de fases????) " Mulheres" de Picasso



- Postado por: Caíla às 21h38
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"Como mutante
No fundo sempre sozinho
Seguindo o meu caminho
Ai de mim que sou romântica!" (Rita Lee)

Quando em queda livre, ainda de paraquedas, questionava minha vida. Hoje ao reler o que se passava percebo que sou mutante. Eis-me novamente começando. Novamente começando? Uma redundância, por certo, mas não gosto do prefixo "re". Não sou uma re-edição, sou uma nova edição de mim mesma. Não recomeço, portanto, tenho um novo começo.Compreendes?

 

 Nessas novas páginas já não repenso minha trajetória, pois eu mesma  a fiz até aqui, mas escolhos com prudência  minhas matizes  e o que me acompanhará.    Não serei como  uma violeta de jardim,tal minha mãe, nem um  girassol feito minha irmã, talvez eu só consiga ser um  ramalhete inteiro (escolhas são complicadas e quanto mais busco, mais me perco).  Inspira-me  Fernando Pessoa:  também  não sei nada, mas guardo em  mim todos os mistérios do mundo. Quem sabe  um dia eu os  (re)conheça, singelo desejo,  pois, além de ser  única que realmente poderá fazê-lo,  agora,  sem amarras  ou rancores, dispo-me de alguns  pudores enquanto me preparo para enfrentar mais  fantasmas. 

 Pela janela do quarto entra o sol. No espelho, eu mesma (no fundo sempre sozinha)  segura em  me compartilhar  com quem faça  sentido.  E realmente, tem feito muito sentido! 

 



- Postado por: Caíla às 16h10
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"Posso resistir a tudo, menos às tentações" Oscar Wilde



- Postado por: Caíla às 16h09
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